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Nesta seção, estão listados alguns links relacionados a informações tecnológicas da atividade. Periódicamente apresentaremos alguns artigos técnicos sobre a lavoura arrozeira e a pecuária.Se você tem alguma sugestão não hesite em entrar em contato conosco. Agradecemos pela sua visita!



EPAGRI
Novas pesquisas no arroz
Arroz - O produto completo
IRGA - Novidades
IRGA - Pesquisas
EMBRAPA - Arroz de terras altas


EMBRAPA
EMBRAPA.br - plantio direto
EMATER



Plantio direto exige calagem diferente

Não é necessária a aração e gradagem para a incorporação do cálcario. A própria palha viabiliza sua absorção pelo solo - Carolina Avansini, De Londrina - Produtores adeptos do plantio direto devem tomar alguns cuidados na preparação da solo para a semeadura da próxima safra de verão. Como o sistema é baseado no não revolvimento da terra, a correção da acidez, através da calagem, precisa ser feita sem a utilização do arado e da grade, comuns entre os agricultores que praticam a agricultura convencional. http://isapi.bonde.com.br



Fosfatos naturais reduzem custos na lavoura
Deva Rodrigues - Embrapa Clima Temperado

Um dos custos fixos que o produtor tem ao fazer a lavoura, a adubação para corrigir o nível de fósforo no solo, pode ser reduzido em até 30%. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, demonstrou essa possibilidade durante a Expovárzea 2001, na Estação Experimental de Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS). Experimentos nos quais foram utilizados fosfatos naturais (rochas moídas que não passam por processos químicos) comprovam economia e menor impacto ambiental às áreas de várzeas.

O pesquisador Algenor da Silva Gomes diz que o uso de fosfatos naturais em vez dos solúveis (aqueles que passam por um processo de acidificação ou ataque com ácido sulfúrico) já são uma forte tendência, especialmente em solos de várzea cultivados com arroz irrigado. No item custos, a tonelada dos solúveis custa R$ 430, enquanto a dos naturais R$ 220.

Até 1970 os fosfatos naturais tinham problemas relacionados à aplicação porque eram em pó e acabavam entupindo as máquinas semeadoras e adubadoras. Devido a essas restrições produtos desse tipo estiveram fora do mercado por mais de 10 anos. Atualmente o produto apresenta-se "farelado", o que facilita a aplicação.

Na Embrapa o uso de fosfatos naturais vem sendo testado em lavouras de arroz irrigado e também na rotação de culturas, especialmente soja, milho e sorgo. Produtores e técnicos poderão conferir as vantagens e o manejo deste produto na Expovárzea 2001, de 5 a 7 de abril, na Estação Experimental Terras Baixas.

Entenda melhor as diferenças e características:
Fosfato natural
- Extraídos das rochas apatídicas
- Moídos
- Não passam por processos químicos (lavagens com ácido sulfúrico)
- Baixa solubilidade
- Lenta absorção (retenção) pelo solo

Fosfatos solúveis
- Extraídos das rochas apatídicas
- Lavados com ácido sulfúrico
- Passam por processos químicos
- Alta solubilidade
- Rápida adsorção pelo solo

Fonte:Agrolink.com.br




Semente eleva em 10% produtividade do arroz

João Henrique Baggio, de Itajaí - A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado (Epagri) lançou no mercado uma nova cultivar de arroz irrigado de alta produtividade que poderá garantir ao rizicultor até 14 mil toneladas por hectare. A SCS 112, como é denominada a nova semente, levou cerca de dez anos para ser desenvolvida. Se comparada às variedades mais rentáveis desenvolvidas pela instituição até então, representa um aumento de produtividade de 5% a 10%. Outro ganho importante é o alto padrão de qualidade obtido com o aprimoramento genético que a semente teve durante o período de pesquisas. Fonte: Agrolink.com.br




Cyanamid prepara o arroz Clearfield

A Cyanamid, em parceria com instituições brasileiras de pesquisa, está desenvolvendo a tecnologia Clearfield para a cultura do arroz. O projeto está em estágio avançado de pesquisa. O Sistema de Produção Clearfield, que combina sementes de alta qualidade agronômica com herbicidas eficientes usados em baixas doses, já é adotado no milho. O sistema ganhou o apelido de “mutagênico” na comunidade científica e entre os produtores e está gerando tanta expectativa quanto o transgênico.

Os híbridos que ainda não têm data para estar disponíveis aos produtores foram desenvolvidos através de um método convencional de melhoramento genético e terão a característica de tolerância a um herbicida. O novo herbicida foi desenvolvido pela Cyanamid, para uso exclusivo nos híbridos tolerantes do sistema Clearfield, e proporciona controle pós-emergente prolongado das principais plantas daninhas. O gerente de Biotecnologia da Cyanamid, Luiz Carlos Louzano, garante que a tecnologia integrada do sistema Clearfield proporcionará uma combinação vantajosa para os agricultores. “O agricultor que optar pelo sistema Clearfield terá a certeza de estar utilizando sementes de alto valor agronômico aliadas a um excelente controle de plantas daninhas com uma única aplicação. Com esta combinação de semente e herbicida será possível fazer um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no campo”.

Os ganhos do agricultor com a possibilidade de eliminar plantas daninhas com uma única aplicação são muito significativos, segundo Louzano, porque proporcionam uma melhor utilização de mão-de-obra, do tempo empregado na produção, de implementos agrícolas e de combustível, entre outros fatores. Louzano estima que o Clearfield poderá conquistar, nos próximos anos, uma fatia significativa do mercado de arroz no país.

O que é o mutagênico?
É um produto capaz de controlar o arroz vermelho. A semente é resistente aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas (Arsenal, Imazapic, Pivot). A obtenção do produto se deu através de uma mutação natural. Foi testado em mais de 300 milhões de plantas nas quais foram aspergidos os herbicidas. As que sobraram se tornaram o material-base para que fosse obtida uma planta resistente aos herbicidas, sem que precisasse ser utilizada a tecnologia de alteração transgênica. A variedade resistente aos herbicidas deste grupo químico era de uma linhagem sem valor comercial. Por cruzamento convencional induziram, desta, a característica de resistência para as plantas comerciais de interesse da empresa e foi criado um pacote tecnológico chamado Clearfield.




Arroz vermelho, o inferno do produtor

O arroz vermelho é considerado a invasora que mais causa danos à lavoura orizícola gaúcha pela redução da produtividade, depreciação do produto final, dificuldade de controle, extensão e alto grau de infestação das áreas cultivadas. Além disso, ele provoca elevação do custo de produção e deprecia o valor comercial das áreas plantadas com arroz, segundo dados levantados pelo pesquisador do Irga Valmir Menezes, uma das principais autoridades brasileiras no assunto.

A infestação, segundo o mais recente trabalho de levantamento realizado pelo Irga, chega a 15% da lavoura gaúcha. Ou seja: de cada sete safras, uma é perdida por causa da invasora. Esta situação é tão grave que, em determinadas regiões, muitas lavouras não são mais cultivadas no sistema convencional devido ao grau elevado de infestação. As perdas diretas são significativas. Todos os anos o Governo do Rio Grande do Sul deixa de arrecadar quase 32 milhões de dólares em ICMS e os produtores perdem aproximadamente 266 milhões de dólares. Caso sejam consideradas as perdas indiretas, como a depreciação comercial do produto e a geração de empregos no beneficiamento e comercialização, as cifras se elevam e podem ultrapassar os 20%. Assim, a perda resultante pode chegar a uma safra a cada cinco anos.

Questão básica
Por que tem tanto vermelho no RS?
As principais causas que contribuíram para a infestação de arroz vermelho em larga escala nas lavouras gaúchas, segundo Valmir Menezes, do Irga, foram:
1. Diminuição do período de pousio, com a intensificação do uso do solo
2. O sistema de posse da terra, onde cerca de 70% da área é cultivada por arrendatários
3. A falta de consciência de produtores, técnicos e autoridades sobre as repercussões negativas do problema, principalmente porque ainda se utiliza sementes de arroz contaminadas com arroz vermelho
4. O uso de cultivares do tipo filipino, com ciclo médio
5. O atraso na colheita, pois quando esta se processa as sementes de arroz vermelho já caíram no solo na sua quase totalidade
6. O Banco Central desobrigou o uso de sementes fiscalizadas para quem utilizasse crédito bancário

Perfil
O diabo da orizicultura
O arroz vermelho é classificado como pertencente à mesma espécie do arroz cultivado, Oryza sativa L., cuja coloração do pericarpo do grão é avermelhada.

Trabalhos de pesquisa desenvolvidos no Japão registram que, desde o ano 700 d.C., arroz com pericarpo vermelho, tanto do grupo japônico como do grupo índico, foi cultivado em quase todas as áreas desse país.

Entretanto, por problemas de baixo rendimento de grãos e de sabor, estes tipos de arroz deixaram de ser cultivados na segunda metade do século 19 e quase desapareceram após a Segunda Guerra Mundial.

Apesar disso, ainda hoje, biotipos de arroz com pericarpo vermelho são cultivados em algumas partes do mundo, como no sul da China e no sudeste da Ásia, sendo consumidos como arroz na forma tradicional ou em sopas especiais, bolos ou utilizados em confeitarias para produção de bolachas.

Segundo o pesquisador japonês Ogawa, referência mundial no assunto, há dúvidas se os atuais biotipos de arroz vermelho com características de planta daninha são descendentes dos biotipos de arroz vermelho que foram cultivados no passado ou se foram mudados através de cruzamentos naturais com o arroz cultivado por um longo período de tempo.

A população de arroz vermelho de uma determinada região normalmente é constituída por vários biotipos de plantas com grande variação em termos de características de planta e de grão. Pode ser observada uma ampla variação na tonalidade de cor de casca dos grãos entre as cores amarelo-palha e preta. A mesma observação é válida para outras características, como dimensões de grãos e presença ou não de aristas.

A existência de diversos biotipos de arroz vermelho pode ser explicada pela ocorrência de cruzamentos naturais entre os diferentes biotipos de arroz vermelho e o arroz cultivado. A freqüência de cruzamentos naturais de arroz vermelho com as cultivares de arroz varia de um a 52%. Ela é maior se houver semelhança de ciclo entre as cultivares e os biotipos de arroz vermelho.

Liquidando os vermelhos
Como a biotecnologia pretende acabar com a principal praga do arroz (e o risco de ser derrotada por ela):

Como é hoje
1. O arroz vermelho, variedade da mesma espécie de arroz comum (Oryza sativa), infesta 95% dessa cultura no Rio Grande do Sul.A planta invasora provoca perda de 1,3 milhão em toneladas (266 milhões de dólares ao ano)
2. A semente sobrevive enterrada no solo e germina junto com o arroz. Nenhum herbicida pode ser usado contra a praga, porque mataria também a planta boa

O que pode dar errado
1. Plantas da mesma espécie, arroz vermelho e branco podem se cruzar. A troca de pólen é rara, só ocorreria em 0,5% dos casos
2. Se o arroz branco geneticamente modificado fertilizar o arroz vermelho, a resistência ao glufosianato de amônia pode se transferir à planta daninha
3. Surge um arroz vermelho que não pode ser morto com o novo herbicida
4. Sementes de arroz vermelho resistente podem ser vendidas pelo agricultor junto com sementes de arroz branco, espalhando a superpraga por outros arrozais
5. Não está descartada a hipótese de que o gene da bactéria acabe chegando a outras espécies silvestres, como a Oryza glumaepatula da Amazônia

Como ficaria
1. A biotecnologia retirou de uma bactéria de solo (Streptomyces higroscopicus) um gene que impede a ação do herbicida glufosianato de amônia (Liberty)
2. O gene foi introduzido no arroz branco, que ganha assim resistência ao Liberty. A planta geneticamente modificada ganhou o nome de Liberty Link
3. O agricultor pode pulverizar a lavoura mesmo depois de brotar o arroz, branco ou vermelho. Morrem só as plantas invasoras



Arroz branco X Arroz vermelho

Apesar de algumas diferenças morfológicas, existe similaridade entre as plantas de arroz branco e de arroz vermelho quanto às características fisiológicas e bioquímicas. Em função disto, as plantas de arroz vermelho são tolerantes à quase totalidade dos herbicidas utilizados em arroz, limitando, deste modo, a utilização do controle químico.

Por outro lado, existem diferenças intra-específicas entre os biotipos de arroz vermelho, assim como existem para as cultivares de arroz sob condição de estresse. A similaridade entre as espécies cultivadas e daninhas, no que diz respeito às características morfofisiológicas e bioquímicas, torna a competição exercida pela espécie daninha mais severa, pois ambas as espécies exercem uma demanda similar, de modo simultâneo, pelos mesmos recursos.

As plantas infestantes competem com as espécies cultivadas por água, luz e nutrientes. A interferência depende, além das condições edafoclimáticas, da espécie infestante, período de competição, fertilidade do solo, densidade de plantas das espécies cultivadas e das plantas daninhas, distribuição das plantas cultivadas, sistemas de cultivo e das demais técnicas culturais utilizadas.

Características
Como é o arroz vermelho
Pericarpo de cor avermelhada
Aristas longas
Folhas de cor verde-claro e decumbentes
Plantas de porte alto
Colmos finos
Pilosidade nas folhas e sementes
Alta capacidade de perfilhamento
Debulha natural elevada
Sementes com maior dormência

Adubação requer cuidados
A adequada adubação em termos de quantidade e época de aplicação melhora a capacidade competitiva das culturas em relação às espécies daninhas, uma vez que as plantas infestantes geralmente absorvem quantidades maiores de nutrientes e de maneira mais rápida que as culturas. De um modo geral, a adição de maiores quantidades de adubo provoca melhor crescimento da comunidade infestante e maior redução no rendimento das culturas.

Em determinados níveis de infestação, o efeito da adubação é contrário ao desejado, pois as áreas adubadas produzem menos do que aquelas que não receberam adubação. A adubação nitrogenada na cultura de arroz infestada com arroz vermelho acentua a diferença de estatura entre os dois tipos de arroz, favorecendo a competição por luz pela espécie infestante.

Grão
Informação prioritária
A obtenção de plantas transgênicas resistentes a herbicidas de ação total através da biotecnologia está sendo desenvolvida como uma ferramenta promissora no controle de plantas daninhas. O desenvolvimento de cultivares de arroz com o gene que confere resistência ao glufosianato de amônia tem apresentado potencial como uma alternativa para o controle seletivo de arroz vermelho em arroz.

Entretanto, é necessário considerar-se o fato de que nem todas as populações de arroz vermelho têm a mesma sensibilidade frente a este herbicida, e que é alta a possibilidade de se encontrarem plantas tolerantes junto às populações de arroz vermelho.

O MANEJO CONTRA O VERMELHO
Muitos produtores do Brasil e de outros países aumentam a densidade de semeadura como forma de compensar as deficiências de manejo da cultura. Esta é uma das formas indicadas de combate à infestação. Os resultados, em que pese o custo elevado das sementes, podem ser positivos, visto que a elevação da população de plantas de arroz, dentro de determinados parâmetros e para uma mesma população de arroz vermelho, aumenta a capacidade competitiva do arroz e reduz as perdas devidas a esta infestante.

Outro fator tão importante quanto a densidade é a distribuição de plantas, de modo que quanto mais eqüidistante ela for, menor será a competição intra-específica e melhor será a cobertura do solo, dificultando o surgimento e o desenvolvimento do arroz vermelho e a competição por luz. A redução do espaçamento entre plantas no sistema de transplante torna a cultura do arroz mais competitiva e diminui as perdas por competição.

Os pesquisadores relatam que maiores espaçamentos na cultura do arroz permitem maiores densidades e acúmulos de matéria seca pela comunidade infestante. Por outro lado, há setores da pesquisa que já observaram que em espaçamentos menores a eficiência do controle químico ou manual foi maior, devido ao efeito complementar da cultura.

FONTE: Revista PLANETA ARROZ-1



Estratégias para o sucesso na pecuária de corte

Se fôssemos criar uma fórmula para representar o que é sucesso, hoje, na exploração da pecuária de corte, sem dúvida seria: tecnologia x produtividade = viabilidade econômica. Por quê? Por uma série de fatores, já bem discutida e assimilada pela grande maioria dos pecuaristas.

O primeiro fator a ser destacado são as estreitas margens de retorno que a atividade pecuária tem trazido nos últimos anos. Com o aumento da oferta (em 1998, foram produzidas 6,3 milhões de toneladas de carcaças, contra 4,9 milhões de nove anos atrás - um aumento de quase 30%) e sua regularização durante o ano (houve uma variação média na oferta, entre o primeiro e o segundo semestre, de -10% no período 1987-1992, contra +1% no de 1993-1997), o mercado estabilizou-se, diminuindo os picos de preço.

Outro fator a ser considerado é a globalização do mercado. Dependendo da cotação do dólar e do preço pago no mercado interno, fica mais viável importar a carne de outros países produtores. É importante salientar também que os nossos concorrentes têm, na média, índices de eficiência produtiva maiores que os nossos, ao que se alia, ainda, o subsídio da produção.

Finalmente, há o aumento dos custos de produção, em função da importação de muitos insumos, elevação nas taxas de juros e escassez de recursos no mercado financeiro.

Todos esses fatores criam um panorama de estabilidade de preços, com a necessidade de ganhos crescentes em produtividade, pois, cada vez que produtores ineficientes saem do mercado, essa média sobre, determinando novos parâmetros de competitividade.

Assim, pode-se afirmar com segurança: só vão permanecer na atividade pecuária aqueles produtores que passarem a tomar decisões de investimento e produção baseadas em informações gerenciais corretas.

Essa nova postura empresarial difere um pouco do antigo padrão do "tino comercial", em que se fazia negócio somente baseado nas boas oportunidades de compra e venda. Hoje, uma visão estratégica das tendências de mercado, a preocupação constante com a redução com a redução de desperdícios e o foco sobre a eficiência produtiva do rebanho fazem a diferença.

Que informações gerenciais seriam essas? Em função do impacto que provocam na propriedade, as mais importantes são: o planejamento das atividades durante o ano, o fluxo de caixa previsto x realizado, o custo-benefício de cada novo investimento - estratégico e financeiro - e o custo de produção.

Para que todos esses controles sejam implantados na propriedade, o trabalho é muito menor do que se imagina. As dificuldades mais comuns, dadas como justificativas pelos produtores rurais, são a falta de hábito de se controlar despesas e receitas, nas diferentes atividades, pagas a partir de uma mesma conta corrente, e de se estabelecer um método para determinação do custo.

Para se obter essas informações gerenciais, é necessária uma preparação prévia no modo de se administrar a propriedade, considerando principalmente os seguintes itens:

  • quando possível, fazer a separação das atividades de cria, recria e engorda em propriedades diferentes. O mesmo vale para a exploração agrícola, a não ser que esta tenha a ver com a atividade pecuária, como reforma de pastagem, lavouras para silagem ou pastejo direto, como o milheto;
  • padronizar o rebanho, no máximo possível, quanto à estação de monta, época de desmama, raça, idade e manejo;
  • organizar os comprovantes de pagamento e recebimento;
  • separar as contas correntes da propriedade e do proprietário;
  • controlar a utilização de insumos, máquinas e equipamentos;
  • definir um salário para o proprietário, caso ele administre diretamente a propriedade, pois é comum a retirada de caixa, independentemente da situação;
  • inventariar anualmente toda a propriedade, separando terras, culturas permanentes, ben-feitorias, rebanho, máquinas e insumos, com seus valores correspondentes ao início e fim do ano.

Apesar de um tanto quanto óbvias essas sugestões, por mais incrível que pareça, um grande número de proprietários conduz seus negócios sem esses cuidados básicos. E, nessa situação, quando o rendimento da propriedade diminui, eles dificilmente conseguem descobrir a causa.

Concluída essa fase de organização da gestão da propriedade, o próximo passo é definir um método de determinação do custo de produção, classificar as despesas (diretas/indiretas,fixas/variáveis), separar do que é investimento, definir qual a moeda e quais os indexadores que serão utilizados (real, dólar, arroba de carne, bezzero, saca de milho etc.).

É muito tentador implantar o uso de computadores para agilizar o processamento dos dados, mas estes requerem um investimento significativo em equipamentos, programas e treinamentos. Se os dados necessários não estão disponíveis de maneira organizada, o trabalho todo ficará seriamente comprometido. Assim, um bom planejamento para informatização é indispensável.

Mas, de nada adianta todo esse investimeto, se não for dada atenção ao aspecto mais importante de todo esse processo: o homem! Funcionários despreparados e indisciplinados podem inviabilizar todo o esforço. É por isso que se recomenda um programa de treinamento e conscientização, antes do início dos trabalhos, além de se deixar bem claras quais são as responsabilidades de cada um: proprietário, administrador, técnico e peão.

O resultado final é obtido após o processamento dos dados, que resultarão nas informações gerenciais, o que pode ser feito de duas formas: através da contratação de mão-de-obra especializada (contador, administrador rural, agrônomo) ou com a capacitação do próprio empresário.

E que informações podem ser obtidas a partir desses dados? Muitas, como, por exemplo: o custo de produção do bezerro, o custo da arroba de carne, definir a escolha de um investimento em touros ou inseminação artificial, o conhecimento da rentabilidade em relação a outro investimento, o valor da depreciação do patrimônio, o custo fixo da propriedade, a receita mínima que é necessária para se viabilizar a propriedade.

Essa e a "chave do sucesso": a tomada de descisões sobre informações gerenciais claras e exatas afasta o empresário de investimentos inadequados, deixando muito claro o que é modismo e o que é necessidade, e proporciona à atividade pecuária o profissionalismo que vai colocá-la nos padrões gerenciais dos nosso maiores concorrentes.


Luciano Alfredo Bonaccini


Uma parceria produtiva e lucrativa

O peixe na lavoura de arroz abre uma nova perspectiva para o arrozeiro gaúcho. Não apenas por apostar na píscicultura, mas também por oferecer ao mercado doffs produtos orgânicos

Reduzir os custos da lavoura de arroz foi o motivo que levou o produtor rural Dirceu Costa a introduzir a rizipiscicultura na sua propriedade em Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte. Hoje, no quarto ano com a técnica de plantio de arroz com peixe, ele aumentou de seis para 50 hectares este consórcio produtivo. Recuperou a terra infestada de arroz vermelho, reduziu muito o use de máquinas, está produzindo acima da média por hectare, não usou uma grama de veneno a está vendendo além do arroz, peixe. E mais: os dois produtos orgânicos!

Um dos pioneiros no Rio Grande do Sul na introdução comercial desta cultura milenar na China, Dirceu Costa, é discreto em contabilizar os ganhos. Mas um sorriso permanente revela a satisfação pelos resultados econômicos, ambientais e produtivos. Sem contar o orgulho de inovar, juntamente com os técnicos da Emater a do Irga que acompanham a orientam esta nova atividade que tem seguidores em outras regiões gaúchas, como na Sul a Central. Os técnicos da Emater estimam que hoje no Estado se cultive 500 hectares com rizipiscicultura.

Na Região Sul a experiência tem animado o produtor Fernando Ribeiro. Integrante da família Ribeiro, maior produtora de arroz do Brasil, Fernando introduziu a técnica há doffs anos na Granja Rancho Grande, em Santa Vitória do Palmar. Agora são 37 hectares e a intenção é chegar a 200 hectares em cinco anos, revelando que a cultura se aplica também a grandes propriedades. Fernando Ribeiro estima que a economia por hectare no preparo da área é de R$ 270,00 calculando o gasto de R$ 150,00 no preparo do solo com maquinário, agora feito pela carpa húngara a outros R$ 120,00 com fertilizantes. Agora a adubação é feita com os excrementos dos próprios peixes. "Buscamos sempre alternativas de rentabilizar a lavoura arrozeira. Acho que o peixe é uma boa saída", acredita.

Na propriedade de Pio Dalla Nora, em Faxinal do Soturno, região Central do Estado, a técnica chegou há mais de cinco anos. Com 40 hectares no total, o agricultor familiar começou com meio de rizipiscicultura. Hoje são 2,5 hectares e há a intenção de aumentar a área. "O resultado é bom. E lidar com peixe é lindo", confessa encantado com a técnica. Mas os bons resultados não são suficientes para se constituir numa saída definitiva para o produtor rural. "Querem acabar com o pequeno produtor. O homem que é da terra, é da terra" , diz Pio, de 60 anos, queixando-se dos baixos preços, especialmente do arroz. Outro desafio agora é a conquista de mercado para o peixe.

Economicamente imbatível - As vantagens econômicas da rizipiscicultura são medidas pelos técnicos da Emater por cálculo comparativo com as lavouras tradicional a de pré-germinado. Na tradicional, para produzir um hectare com 130 sacos, são investidos o equivalente a 100 sacos por hectare; no pré-germinado, este custo reduz para 50 sacos a na rizipiscicultura, caiu para 20 sacos. A produção pela rizipiscicultura na propriedade é de 130 sacos por hectare (6500 Kg/ha), contra os 120 conseguidos do pré-germinado (6000 Kg/ha).

A rizipiscicultura é economicamente imbatível, assegura Décio Cotrim, técnico da Emater a um dos pesquisadores da técnica no estado. "Temos melhor arroz, menos custos operacionais, baixou a depreciação dos investimentos a além disso tem o retorno do peixe", compara. Pelos cálculos da Emater, são R$ 1 mil a mais por hectare em conseqüência da venda do peixe. Ele estima que a lucratividade da rizipiscicultura é duas vezes superior ao pré-germinado.

Estima-se que o aumento da produtividade do arroz chegue a 30% em alguns casos. Na China, a média de aumento fica entre 5 a 15%, segundo estudos do pesquisador Pan Yinhe. O arroz se desenvolve mais uniformemente, aumenta o perfilhamento, mais grãos de arroz são produzidos, as panículas são mais pesadas a diminui a taxa de grãos falhados, constatou.

"É um excelente método a gera duas receitas ao ano: arroz a peixe. Único sistema biológico sustentável. Não usa adubo químico, herbicida ou pesticida. E ano a ano o solo se enriquece", avalia José Gallego Tronchoni, gerente regional do Irga no Litoral Norte.

"Eu acredito que dá certo. Na China deu, porque não daria aqui?", confia Dirceu Costa que já recebeu mais de três mil pessoas em sua propriedade interessadas na técnica. Foram realizados três dias de campo no local a todas as semanas, produtores, estudantes, pesquisadores visitam o local. Um deles é Rafael Carmona, 25 anos, que desenvolve sua tese de mestrado sobre o tema a realiza experimentos na propriedade. Ele está verificando se a colocação de um menor número de alevinos aumentará o tamanho da carpa na despesca, entre outros dados. Em outubro os dados estarão disponíveis.

Recuperação de áreas - Muitas áreas infestadas por invasoras como o arroz vermelho são abandonadas por se tornarem impróprias ao cultivo ou exigindo grandes investimentos na recuperação do solo. "Não tinha mais condições de plantar nesta área", relembra Dirceu Costa, olhando agora para uma propriedade com produção recorde, altamente valorizada. A carpa húngara come as sementes do arroz vermelho a outras invasoras, revolve o solo a deixa o terreno preparado, dispensando as máquinas que tradicionalmente reviravam a terra ano a ano.


Tronchoni: "É um excelente
método e gera duas
receitas ao ano"

O bom resultado no solo também se confirma em Santa Vitória do Palmar. "Há quatro safras a área estava descartada para o arroz. Infestada, quase improdutiva". Este foi um dos principais motivos para a introdução do peixe nos arrozais na Granja Rancho Grande, lembra Fernando Ribeiro, agora com a área produtiva e recuperada.

Produção orgânica - "Estamos produzindo comida limpa. Antes a lavoura tinha cheiro. Agora não. Tem animais e aves andando nos arrozais. Voltou a biodiversidade. Temos que produzir, mas respeitar limites. Isto nos emociona muito", confessa Décio Cotrim. O mesmo orgulho sente o técnico Luiz Rojahn, do escritório de Santo Antônio da Patrulha. "Isto nos dá muita satisfação como profissionais", diz andando em meio aos arrozais orgânicos.

Dirceu Costa está introduzindo uma variedade de grão curto, japônico, para iniciar a produção de arroz integral sem nada de agrotóxicos. "É mais uma possibilidade. Vamos testar", diz o produtor que já está pesquisando a forma de processar o grão. A mesma intenção tem os plantadores da Metade Sul. "É um nicho de mercado e queremos aproveitar isso", reconhece Fernando Ribeiro. Além das vantagens do arroz ecológico para a saúde, a produção do grão na técnica da rizipscicultura é ainda mais sustentável para a agricultura. Na técnica normal, é preciso repor adubo na lavoura. "Na rizi, a adubação é feita pelos próprios peixes", lembra Tronchoni, do Irga.

Predadores - Esta pureza e grande oferta de alimentos atrai vários predadores - aquáticos e aéreos. "Devem ser controlados sob pena de prejudicar muito a lavoura", alerta o técnico do Irga. Traíras, cobras d´água, tartarugas, jundiás, lambaris, muçuns, jacaré. Nestes casos a Emater recomenda barreiras ou filtros nas entradas e saídas de água. Garças, biguás, bem-te-vis, martim-pescador e outros pássaros também fazem estragos e são dispersados com canhões a gás, espantalhos luminosos ou cães adestrados. Tronchoni lembra que numa lavoura de rizipsicultura pessoas morando próximo às lavouras facilitam o combate aos predadores.


Consorciação, vantagem não explorada


Sorgo tem melhor desempenho
econômico
A oportunidade de incluir o arroz em um sistema de rotação de culturas ou a exploração de uma consorciação com a criação de gado ou de peixe, não tem sido aproveitada pelos produtores dessa cultura. São poucos os exemplos de plantadores que adotam esse sistema, embora os que o façam estejam satisfeitos. São inúmeras as vantagens da integração, desde o combate ao arroz vermelho, a quebra do ciclo de pragas e doenças, o aproveitamento do adubo residual, até a obtenção de maior renda na mesma área.

As alternativas são muitas, como o sorgo, a soja, o milho, as pastagens, cadauma com suas características, grau de dificuldade e consequências. Todas elas exigem uma drenagem da área e talvez aí resida o ponto de maior resistência, acrescido do fato de, no Rio Grande do Sul, mais de 60% do arroz ser cultivado por arredatários. No entanto, em nível de pesquisa, os experimentos existem, os resultados são altamente positivos e só falta a tecnologia disponível ser colocada em prática.

O melhor desempenho econômico das culturas utilizadas para rotação em área de arroz irrigado é do sorgo. Além de reduzir a infestação de arroz vermelho, o sorgo granífero traz um retorno financeiro compensador para o produtor. Trabalhos do pesquisador Antônio André Raupp, da Embrapa Clima Temperado, demonstram que no início a cultura sofre um processo de adaptação, mas logo apresenta um comportamento idêntico ao de áreas altas.

Já no primeiro ano a cultura reduz a quantidade de sementes de arroz vermelhos existentes no solo. Raupp realizou um experimento numa área que apresentava 1,7 mil sementes por metro quadrado, com produtividade média de dois a três mil quilos por hectare. "A infestação caiu para cem sementes por metro quadrado, o que ainda prejudicaria a produção de arroz", diz ele, ao explicar que no terceiro ano de plantio do sorgo a incidência chegou próximo a zero. Nesse mesmo experimento, a renda líquida de produtor chegou a R$ 120,00 por hectare. Raupp destaca que o desafio da pesquisa é, com o retorno do arroz, manter baixa a infestação do vermelho.

A drenagem da área é fundamental para o bom desempenho da cultura. Uma das vantagens de cultivar o sorgo nas áreas de várzea é o controle da lagarta do solo. "É a principal praga do sorgo, mas quando há umidade no solo ela morre. Com a possibilidade de irrigação da área podemos ter um controle eficaz da praga", explica ele.

A resistência por parte dos produtores de adotar tal tecnologia deve-se muito à dificuldade de comercialização. O sorgo é utilizado pelas indústrias de ração, que compram a matéria-prima ao longo do ano. "O produtor precisaria investir num sistema de armazenagem, o que representa mais investimentos". O técnico destaca, no entanto, que há um déficit de grão, o que garante mercado. A empresa Avipal, por exemplo, importa entre 80 e cem mil toneladas do produto por ano.



Soja


Soja tem exigências
nutricionais diferentes

A soja é a única leguminosa produtora de grão entre as culturas indicadas para rotação. As esigências nutricionais da planta são diferentes, o que garante a mamitenção no solo dos nutrientes necessários à cultura do arroz irrigado. Outra vantagem é uma das características peculiares da soja. As plantas captam nitrogênio do ar, mantendo?o no solo, o que reduz a necessidade de aplicação de uréia na lavoura de arroz.

0 pesquisador Mário Franklin Gastal, da Embrapa Clima Temperado, salienta que as doenças e pragas também são diferentes, ocorrendo uma quebra nos seus ciclos. A única doença em comum com o arroz é a Rbizoctonia solani. Como se trata de um fungo de solo, o técnico acredita que o ideal no caso de aumento da ocorrência da doença seria fazer rotação com as outras culturas.

Franklin Gastal destaca que nos últimos três anos houve um crescimento do interesse dos produtores pela cultura como alternativa no sistema de rotação com arroz. A técnica é antiga. Nos países orientais a soja é cultivada há muitos anos nas marachas da lavoura de arroz.

O técnico critica os produtores que usam a soja somente visando a limpeza do arroz vermelho da área. "E preciso ter retorno com a atividade. Atualmente já existem produtores que obtêm mais de 40 sacos por hectare, enquanto a média do Estado não ultrapassa os 30 sacos", diz ele, confiante nos ganhos que o produtor de arroz terá com a alternativa. O desafio da pesquisa é obter cultivares adaptadas às áreas de arroz.



Milho


Milho na várzea
só traz vantagens

O Rio Grande do Sul gasta, todos os anos, somas elevadas na importação de milho de outros Estados ou do exterior. Por outro lado, existem amplas extensões de várzeas que ficam em pousio. Foi pensando nisso que o governo do Estado lançou o "Programa de produção de milho em áreas de arroz irrigado", tendo como meta incorporar 155 mil hectares à lavoura de milho até 2003, ampliar em 775 mil toneladas a oferta desse grão a economizar R$ 190 milhões com importações.

A viabilidade técnica existe e há muitas vantagens para ambas as culturas em sua integração. Estudos realizados pela Embrapa, desde 1986, comprovam a possibilidade do cultivo de milho em solos de várzea, com rendimentos iguais ou superiores a 5.000 quilos por hectare, quase o dobro da produtividade do Estado, que gira em torno de 3.000 kg/ha. Além disso, o arroz plantado após a lavoura de milho apresentou rendimentos 20% superiores aos das lavouras convencionais. Um outro ponto importante é o controle do arroz vermelho que, já no primeiro ano, pode ser reduzido em até 70%.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado, Marilda Porto, os herbicidas usados no controle de plantas daninhas do milho também controlam o arroz vermelho. Ela observa ainda que o plantio de milho em área de arroz requer baixo investimento, pois o produtor utiliza o mesmo maquinário, com algumas modificações. Outra vantagem é a possibilidade de utilizar a irrigação por inundação em período de estiagem.

Estima-se que no Estado apenas 5.000 hectares - dos 900 mil plantados com arroz - sejam cultivados com milho. A Emater deverá fazer um levantamento para chegar ao número exato. "Com o trabalho de campo dos extensionistas é provável que a cultura do milho irrigado seja adotada por maior número de produtores", diz a pesquisadora da Embrapa.



Fonte: Anuário Brasileiro do Arroz 2000